12 de outubro – Bashōki

“Hoje é dia de Cultura Japonesa!” – Capítulo 62

Matsuo Bashō (1644-1694) viajou por diversas partes do Japão, criando poemas no formato haicai, tornando-se um dos maiores expoentes nesta modalidade literária. Bashō faleceu em 12 de outubro do ano 7 da Era Genroku (no calendário lunar). Então o dia 12 de outubro tornou-se o memorial de seu falecimento, chamado de Bashōki ou Shigureki. A data corresponde ao dia 28 de novembro de 1694, no calendário gregoriano.

Bashō criou seu primeiro haicai após conhecer Tōdō Yoshitada. Juntos, estudaram com o mestre Kitamura Kigin. Mas Tōdō morreu em 1666 e, anos depois, em 1972, Bashō mudou-se para Edo (atual Tóquio), onde teve discípulos e consolidou-se como mestre de haicai.

Em 1681, construiu uma cabana em Fukagawa, onde plantou um pé de Bashō (Musa basjoo, também conhecida como banana japonesa). Foi daqui que ele tirou o seu Haigō (pseudônimo poético) definitivo. Em 1684, Bashō faz a primeira das suas cinco grandes jornadas.

Em 1689, ano em que se completavam 500 anos de falecimento do monge e poeta Saigyō, Bashō partiu de Edo acompanhado de seu discípulo Kawai Sora para uma viagem pelas regiões de Tohoku (nordeste japonês) e Hokuriku, terminando em Ogaki, na atual província de Gifu. Os poemas haicai desta viagem estão compilados no livro “Oku no Hosomichi” (おくのほそ道), publicado postumamente em 1702, com algumas traduções disponíveis em português, como o “Trilhas longínquas de Oku”.

Os locais visitados por Bashō e seu discípulo nesta jornada incluem Matsushima (uma das Três Vistas do Japão), Hiraizumi (terra da família Fujiwara de Ōshu, que por muito tempo foi aliado de Minamoto no Yoshitsune) e Izumozaki (local citado na canção enka Umiyuki, do cantor Jero, afro-americano com ascendência japonesa).

A jornada se encerrou em Ōgaki, que hoje é conhecido como “Oku no Hosomichi Musubi no Chi” ou “Destino final de Oku no Hosomichi”. Em Ōgaki existe o “Bashō’s Oku no Hosomichi Haiku Journey Museum”, destino obrigatório para os fãs de Bashō. “Ogakki”, o mascote da cidade, também é inspirado em Bashō.

A palavra “Musubi” é polissêmica e também pode significar “enlace”. Logo, na cidade de Ōgaki existe também o “Musubi no Izumi”, a “fonte do enlace”, que é considerado um “power spot”, um local que atrai boas energias, neste caso, para encontrar sua metade da alma.

Há boatos que dizem que Bashō, na verdade, era um ninja, pois apesar de ter 45 anos, numa época em que a expectativa média de vida era em torno dos 50 anos, Bashō percorreu longas distâncias num ritmo impressionante (2400 km em 150 dias). Além disso, sua terra natal, Iga, é conhecida como sendo terra de ninjas, inclusive do lendário Hattori Hanzō.

O “Sake no Hosomichi” é um mangá que é uma paródia de “Oku no Hosomichi”. O protagonista é um assalariado que adora haiku (haicai) e saquê. Ele visita diversas lojas e restaurantes em busca de saquê e sempre no final ele elabora um poema haiku sobre sua experiência. É uma obra longeva, que se iniciou em 1994 e continua sendo publicado, com 47 volumes até junho de 2020.

Existem algumas frases clássicas de discursos, livros, músicas ou filmes que valem a pena serem memorizados, pois são pequenos conhecimentos que, acumulados, enriquecem não apenas o nosso intelecto, mas o nosso espírito. É o que os japoneses chamam de kyōyō (教養, leia-se quiouiou), que os dicionários traduzem simplesmente como “cultura”, “instrução”, “educação” ou “conhecimento”.

No ocidente temos frases como “Navegar é preciso, viver não é preciso”, de Pompeu e Fernando Pessoa, ou “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”, de Antoine de Saint-Exupéry. Ficaremos muito contentes se nossos leitores interessados por cultura japonesa puderem memorizar pelo menos um haicai de Bashō, dos quais sugerimos os seguintes:

古池や 蛙飛び込む 水の音

Furuike ya / Kawazu tobikomu / Mizu no Oto

Tradução literal: escuta-se o som da água quando o sapo mergulha no lago velho.

 

閑かさや 岩にしみ入 蝉の声

Shizukasa ya / Iwa ni shimiiru / Semi no koe

Tradução de Meiko Shimon: Quanta quietude… / o canto das cigarras / as rochas absorvem.

 


 

Veja também nossos artigos anteriores:

21 de julho – Três Vistas do Japão (Capítulo 5)

19 de agosto – Dia do Haiku (Capítulo 27)

1º de outubro – Dia do Sake (Capítulo 54)

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