12 de setembro é o Dia da Maratona no Japão!

“Que dia é hoje?” – Capítulo 42

No dia 12 de setembro de 490 a.C. (há diversas teorias sobre esta data), aconteceu a Batalha de Maratona, quando os persas invadiram Maratona, na Grécia. O soldado Fidípides percorreu aproximadamente 240 km entre Atenas e Esparta, para chamar reforços. Após participar da batalha, ainda percorreu cerca de 40 km entre Maratona e Atenas, para anunciar a vitória dos atenienses. O herói morreu logo após dizer a mensagem: “Nós vencemos!”.

Em homenagem a esta lenda, a modalidade “maratona” foi criada e incorporada aos primeiros jogos olímpicos da Era Moderna. No Japão, a suposta data da Batalha de Maratona, 12 de setembro, tornou-se o Dia da Maratona.

Os praticantes de corrida de rua no Brasil costumam comemorar o Dia do Maratonista em 7 de agosto, em homenagem ao aniversário do etíope Abebe Bikila, o primeiro homem a vencer duas maratonas olímpicas e considerado um dos maiores maratonistas de todos os tempos.

Bikila ficou muito famoso no Japão, pois chegou aos jogos de Tóquio de 1964, já como campeão dos jogos de Roma de 1960, quando venceu a prova correndo descalço.

Em 1961, a empresa japonesa de calçados Onitsuka Tiger (atual Asics) presenteou Bikila com um tênis personalizado, na ocasião em que o atleta esteve no Japão para competir e vencer a Lake Biwa Marathon, na província de Shiga. Bikila teria ficado muito satisfeito com o tênis. Mas nas olimpíadas, teve de competir com o tênis da empresa alemã Puma, com a qual tinha contrato.

Para ilustrar este artigo, convidamos o arquiteto Naoki Otake, apaixonado por corridas de rua, responsável por desenhar diversos restaurantes de São Paulo. É conhecido pelos seus trabalhos para a Asics em todo o Brasil, com destaque para a Concept Store da Oscar Freire, em 2011. Sua meta atual nas corridas é concluir as 6 maratonas conhecidas como “majors”, o circuito mais importante do mundo, que inclui a prova de Tóquio.

No início, a maratona não tinha uma distância padronizada, sendo de aproximadamente 40 km. Em 1908, na maratona olímpica de Londres, a distância da prova teria sido prolongada a pedido da Rainha Alexandra, tornando-se de 42,195 km. Esta distância foi oficializada em 1921, sendo adotada até os dias de hoje.

Shisō Kanakuri e Yahiko Mishima foram os primeiros japoneses a participarem das Olimpíadas, em Estocolmo, 1912. Kanakuri participou da maratona utilizando um tabi (足袋, meia tradicional japonesa) reforçado especialmente para aguentar longas distâncias.

Porém, devido ao forte calor, Kanakuri desmaiou por hipertermia, foi socorrido por camponeses, despertando apenas no dia 15. Como ele não havia notificado sua desistência, ele foi considerado desaparecido pelas autoridades suecas por meio século, embora tivesse participado das Olimpíadas de 1920 e 1924.

Kanakuri contribuiu de diversas formas para a evolução do atletismo e esporte japonês como um todo. Destacamos seus esforços na criação do Hakone Ekiden, em 1920. Um ekiden (駅伝) é uma prova de revezamento de longa distância muito popular no Japão. O de Hakone tem um percurso de ida e volta entre Tóquio e Hakone, com a soma de 217,1 km, percorridos em dois dias.

No ekiden, em vez de “passar o bastão”, utiliza-se a expressão “tasuki wo tsunagu” (たすきをつなぐ). O tasuki é um tipo de faixa que os atletas usam, colocando em um dos ombros, cruzando o tronco na diagonal. Tsunagu é o verbo conectar, juntar. Assim, esta expressão pode ser entendida não simplesmente como “fiz a minha parte e agora é com você (passo o bastão)”, mas que todos os membros da equipe (inclusive comissão técnica, funcionários, etc.) são importantes para “não deixar a corrente se romper”.

Devido às suas diversas contribuições, Kanakuri é considerado o pai da maratona no Japão. Em 1967, Kanakuri foi convidado pelo comitê olímpico sueco para um evento comemorativo dos 55 anos das Olimpíadas de Estocolmo, concluindo simbolicamente, a maratona abandonada. No dia 21 de março de 1967, Kanakuri concluiu a maratona iniciada em 1912, com o tempo de 54 anos, 8 meses, 6 dias, 5 horas, 32 minutos, 20.3 segundos. Kanakuri discursou: “Foi uma longa jornada. Durante o percurso, eu me casei, tive 6 filhos e 10 netos”.

Desde a época em que foi criada a atual Maratona de Tóquio em 2007, houve um grande aumento de provas de corrida de rua no Japão. Muitas prefeituras e organizadores realizam corridas para a promoção do turismo local. Diversas provas japonesas oferecem pratos típicos da região, para que os atletas amadores possam repor as energias após ou mesmo durante as competições. Com certeza, há muitos motivos para os corredores brasileiros visitarem o Japão quando os eventos voltarem a ser realizados.
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