23 de setembro: Sino de Nagasaki (長崎の鐘)

“Hoje é dia de Cultura Japonesa!” – Capítulo 50

Muito obrigado aos leitores por acompanharem as redes sociais da Aliança. Celebrando o 50º artigo desta série, alteramos o título desta coluna para “Hoje é dia de Cultura Japonesa!” e trazemos uma história muito especial: o Sino de Nagasaki.

No dia 23 de setembro de 1950, entrou em cartaz nos cinemas japoneses o filme “Nagasaki no Kane” (O Sino de Nagasaki) pela Shochiku, produtora e distribuidora japonesa de filmes.

O filme foi baseado num livro de ensaios de mesmo nome, escrito por Takashi Nagai (永井隆), médico sobrevivente da queda da bomba atômica em Nagasaki. Radiologista, foi diagnosticado de leucemia em junho de 1945. Após a queda da bomba, Nagai se esforçou para socorrer as vítimas, mas entrou em coma em setembro, devido à enfermidade anterior à bomba e ao cansaço.

Salvou-se milagrosamente, mas passou os últimos anos de sua vida em repouso, numa casinha nomeada como “Nyokodō” (如己堂), erguida em 1948. O nome Nyokodō foi inspirado na versão japonesa do trecho: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”, do Evangelho segundo Marcos 12:31 – “己の如く人を愛せよ” (Onoreno Gotoku Hitowo Aiseyo).

Neste período de repouso, escreveu muitos ensaios com suas mensagens de paz e amor ao próximo, bem como relatos da destruição da bomba, até falecer em 1951. Foram mais de dez livros, alguns publicados postumamente.

O “Nagasaki no Kane” foi inspirado no “sino de Angelus”, que pertencia à Catedral de Urakami, uma catedral católica de Nagasaki, construída em 1879 pelos “cristãos escondidos” que retornaram a Urakami, após serem exilados na transição do Período Edo para a Era Meiji.

A catedral foi destruída pela bomba atômica, e reconstruída em 1959, no mesmo local, pelo desejo de preservar a memória da perseguição histórica aos cristãos durante o Período Edo. O sino se encontra atualmente no Museu da Bomba Atômica em Nagasaki.

O livro “Nagasaki no Kane” já estava pronto em 1946, mas só foi publicado em 1949, quando foi liberado pelas Forças Aliadas de ocupação do Japão. Tornou-se um best-seller considerando aquele contexto, com escassez de papel para imprimir os livros.

No mesmo ano de 1949, os renomados poeta Hachiro Sato e compositor Yuji Koseki criaram a canção “Nagasaki no Kane”, interpretada pelo eterno cantor Ichiro Fujiyama. Em 1950, esta canção tornou-se a música principal do filme da Shochiku.

A letra desta música possui palavras como なぐさめ (nagusame / consolo, conforto) e はげまし (hagemashi / encorajar). A melodia começa lenta, pesada, e transita para uma melodia alegre, que passa sensação de esperança. É considerada uma canção de conforto e encorajamento para todos os japoneses que passaram momentos difíceis durante a guerra, anunciando a transição para uma época de esperança.

Atualmente a rede NHK exibe a novela “Yell”, inspirada na vida do compositor Yuji Koseki. Nas próximas semanas, os telespectadores poderão testemunhar o momento de nascimento desta bela canção, dentro da novela.

Para ilustrar este artigo, escolhemos o monumento dos sinos construído em 1977, que está localizado no Parque da Paz, de Nagasaki.

Em 2005, em memória aos 60 anos da queda da bomba em Nagasaki, foi produzido o filme de animação “Nagasaki 1945 Angelus no Kane”, também sobre o mesmo sino, mas baseado na vida de outro médico, Tatsuichiro Akizuki.

Encerramos divulgando o evento virtual “75 anos. Nagasaki. Carnaval. Prece pela Paz cantando Nagasaki no Kane, do Brasil”, que será realizado no dia 26 de setembro, às 19h30, organizado pelo Centro de Estudos Nipo-Brasileiros, com apoio da Associação Nagasaki Kenjin do Brasil e o Centro Brasileiro de Língua Japonesa.

Haverá uma palestra em japonês com o Sr. Hiroshi Kawazoe, ex-presidente da Associação Nagasaki Kenjin do Brasil, que participou do desfile da escola de samba Águia de Ouro. A agremiação conquistou seu primeiro título do carnaval paulistano, com o enredo “O Poder do Saber – Se saber é poder… Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Uma das alegorias apresentava a bomba atômica, que é fruto de sabedoria, mas que pode ser utilizado para a destruição. A agremiação passou a mensagem de que a sabedoria deve ser pela Paz Mundial e não para o mal.

 


 

Veja também nossos artigos anteriores:

6 de Agosto – Hiroshima (Capítulo 17)

12 de Agosto – Ue wo muite arukou (Capítulo 22)

10 de Setembro – Rashomon (Capítulo 41)

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