4 de setembro é o Dia do Pente!

Pente em japonês é kushi (櫛, くし). Kyu, ou ku, é 9 em japonês. Shi é 4. Logo, kushi é um goroawase (trocadilho numérico) de 9/4. Assim, esta data tornou-se o Dia do Pente no Japão.

Esta data foi estabelecida em 1979, por iniciativa de uma comissão formada por profissionais de beleza. Nesta época do ano, costuma ser realizado o evento Beauty Week Festival.

A palavra “kushi” teria originado de palavras como “kusushi” (奇) ou “kusubi” (聖) que significam algo místico, misterioso.

Por outro lado, “ku” (苦) também pode ser traduzido como sofrimento; e “shi” (死) como morte. Esta é uma superstição forte no Japão. Até hoje existem hotéis que não disponibilizam quartos como 4, 9, 49 ou 94.

Assim, os japoneses mais supersticiosos evitam pegar um kushi caído no chão, pois estariam catando sofrimento e morte. Uma solução seria pisar uma vez primeiro no kushi, para espantar o mau agouro.

Por causa desta superstição, o kushi costuma não ser recomendado para presentes. Quando se quer presentear outra pessoa com um kushi, diz-se que está presenteando um kanzashi (enfeite de cabelo), e não um kushi.

Porém, existe um caso curioso. No Período Edo (séculos XVII a XIX), haviam casos em que os homens faziam propostas de casamento enviando um kushi para a amada. Seria como uma mensagem de “se viver comigo, terá que enfrentar sofrimentos (ku), mas superaremos unindo forças, e ficaremos juntos até a morte (shi)”.

Uma das matérias-primas tradicionais do pente japonês é a árvore “tsuge” (japanese box). Aqui existiria um simbolismo em que quanto mais envelhecido o kushi de tsuge se tornaria cada vez mais belo, tal qual o casamento.

Na literatura, o pente surge até no Kojiki, o primeiro livro de História do Japão, datado de 712 d.C.

Izanagi, a divindade masculina da Criação do Japão, foi ao Yomi (mundo dos mortos da mitologia japonesa) numa tentativa de buscar sua esposa (Izanami) que morreu durante o parto da divindade do fogo (Kagutsuchi). Esta passagem é semelhante à história de Orfeu buscando Eurídice na mitologia grega. Mas no final, Izanagi precisa fugir de Yomi, e ele transforma seu kushi em brotos de bambu, e seus perseguidores começaram a comer os brotos, permitindo a fuga de Izanagi.

Num outro trecho, a jovem Kushinada é escolhida para ser oferenda viva para o Yamata-no-orochi, um monstro de oito cabeças. Susanoo, filho de Izanagi, decide derrotar o monstro. Susanoo transforma Kushinada num kushi, coloca nos próprios cabelos, e derrota Yamata-no-orochi. Os dois se casam após o triunfo.

Nas antologias poéticas como o Manyōshu (“Livro das Dez Mil Folhas”, compilada no século VIII), ou no Shin Kokin Wakashu, (“Novos Poemas das Eras Antiga e Moderna”), surgem diversos poemas sobre kushi ou tsuge, representando o amor por uma mulher.

Em Quioto existe uma festividade chamada Kushi Matsuri, realizada na quarta segunda-feira do mês nove, aplicando o mesmo trocadilho de 9-4. Em setembro de 1964, foi criado um Kushizuka (櫛塚, um “monumento” ao kushi) em Quioto e, desde então, realiza-se esta festividade para agradecer e purificar os kushi.

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