5 de novembro é o Dia da Maçã!

“Hoje é Dia de Cultura Japonesa!” – Capítulo 75

O dia 5 de novembro é o Dia da Maçã no Japão. Vamos explicar o goroawase (trocadilho numérico): 1 é ichi em japonês, e pegamos a primeira sílaba “i”. Como estamos no mês 11, são dois 1, ou seja “ii”, que em japonês é “bom, boa”. 5 em japonês é “go”. Então tornou-se “rinGO”, que é maçã em japonês. Logo, 11/5 é “ii ringo”, o dia da “boa maçã”, e a data foi estabelecida em 2001, pela província de Aomori, a maior província produtora de maçã.

No Japão, existe outra data comemorativa referente à maçã, o Dia da Maçã da província de Nagano, que é em 22 de novembro. Nagano é a segunda província japonesa com maior produção de maçã, sendo famosa pela variedade Fuji (embora esta variedade tenha sido desenvolvida em Aomori). O número 2 em japonês pode ser lido como “futatsu” ou como “ji”. Assim, pegando só a primeira sílaba de futatsu e somando com ji, 22 pode ser lido como “Fuji”. A data foi definida em 1999 e oficializada pela Japan Anniversary Association em 2003.

Ambas as datas são em novembro, pois é o “shun” (旬, melhor época) das maçãs. Existem outras datas comemorativas regionais, como na municipalidade de Hirosaki, em Aomori, que é em 1º de outubro, pois a colheita da variedade “Hirosaki Fuji” se inicia um pouco mais cedo. Neste artigo, vamos falar das maçãs em geral.

O hemisfério norte está chegando ao inverno e duas das frutas mais populares no Japão nessa época são a maçã e o mikan (tipo de tangerina). Muito se diz que a maçã é cultivada em regiões frias (como Aomori e Nagano) e o mikan é cultivado em regiões quentes (como Wakayama e Ehime).

A maçã (espécie Malus asiática, hoje chamada de Waringo) foi introduzida ao Japão por volta do século 8, mas só se tornou popular na Era Meiji (1868-1912), com a chegada das espécies ocidentais.

A maçã “Fuji” foi desenvolvida na municipalidade de Fujisaki, província de Aomori, em 1940, e registrada em abril de 1962. É o cruzamento das variedades “Red Delicious” e “Ralls Janet”, conhecida no Japão como Kokkou (国光). O nome Fuji foi escolhido por 3 motivos: foi trazido do nome da municipalidade Fujisaki, em referência ao monte Fuji, e também porque um dos criadores era fã da atriz Fujiko Yamamoto. A variedade Fuji é conhecida por ser doce, crocante e duradoura.

Porém, o começo não foi fácil para a maçã Fuji. No ano seguinte de seu registro, em 1963, começou a livre importação da banana para o Japão, baixando o preço da fruta, que até então era considerado objeto de luxo. Com a forte concorrência da banana, a maçã se desvalorizou muito, ao ponto de produtores descartarem a produção nas montanhas e rios. Este episódio passou a ser conhecido posteriormente como 山川市場 (yamakawa ichiba), literalmente “feira da montanha e rio”. O ápice desta crise foi em 1968, período de grande produção de mikan e morango, acirrando ainda mais a concorrência, resultando em grande desperdício de maçã.

As maçãs deste período eram predominantemente das variações Kokkou e Kōgyoku (Jonathan). Os produtores de Aomori começaram a investir na melhora de qualidade, mudando inicialmente para as variações “Delicious” e, em 1982, para o “Fuji”, que desde então é incontestavelmente a variedade de maçã mais produzida no Japão. O Fuji também faz parte da lista de 100 grandes inovações japonesas do pós-guerra, elaborada pelo Japan Institute of Invention and Innovation.

A maçã Fuji também conquistou o mundo. No Brasil, foi introduzida por Kenshi Ushirozawa, orientador de fruticultura da JICA (Agência de Cooperação Internacional do Japão), radicado em Santa Catarina, para produção e difusão da maçã Fuji no Brasil.

No Japão, a maçã costuma ser consumida de forma crua. As mães costumam colocar maçãs cortadas em forma de coelhinhos no obentō (marmita, lanche escolar) das crianças. Também é muito utilizada para doces de origem ocidental como a torta americana de maçã (apple pie) ou a torta francesa Tarte Tatin. Em Hirosaki, até existe uma associação que assumiu o desafio de fazer o maior apple pie do mundo. Atualmente eles fazem tortas gigantes de 3 m de diâmetro.

O ringoame (maçã do amor) é um doce que não pode faltar nas festividades (matsuri) do Japão. As pessoas que gostam de fazer curry de tablete provavelmente devem conhecer o “Vermont Curry”, da empresa de alimentos House. Este produto, considerado um curry mais suave, tem como grande característica o uso de maçã e mel entre seus ingredientes, seguindo uma receita do estado de Vermont, nos Estados Unidos.

Por ser um fruto que teve uma introdução recente no Japão, na Era Meiji, aparentemente não existem provérbios “genuinamente” japoneses ligados à maçã. Porém, em países como a Inglaterra, Espanha e China, dizem que quem come maçã não precisa de médico, pois é um alimento saudável. Então é possível encontrar em japonês, expressões como: “一日一個のりんごで医者入らず” (ichinichi ikko no ringo de isha irazu, coma uma maçã por dia e não precisará ir ao médico) ou “りんごが赤くなると医者が青くなる” (ringo ga akakunaruto isha ga aokunaru, quando a maçã fica vermelha – madura –, o médico fica verde – azul, preocupado).

Existem diversas canções com “Ringo” no título ou na letra, mas provavelmente a mais marcante de todas deve ser “Ringo no Uta” (canção da maçã), de Michiko Namiki, lançada em 1945. Foi o primeiro grande sucesso musical do pós-guerra, tornando-se símbolo da recuperação dos japoneses. Em 1952, Hibari Misora, conhecida como a Rainha da Canção Popular Japonesa, lançou a canção “Ringo Oiwake”, que superou um milhão de cópias vendidas. Em 1983, a top idol Seiko Matsuda lançou o CD Single “Garasu no Ringo / SWEET MEMORIES”.

Na cultura pop, dois personagens associados à maçã são a Hello Kitty, da empresa Sanrio, e o Ryuk, do mangá Death Note, publicado no Brasil pela Editora JBC. A Kitty é conhecida por ter a estatura equivalente a 5 maçãs e peso equivalente a 3 maçãs.

 


 

Veja também nossos artigos anteriores:

27 de julho – Melancia (Capítulo 8)

12 de agosto – Ue wo muite arukou (Capítulo 22)

25 de agosto – Chicken Ramen (Capítulo 30)

16 de setembro – Açaí (Capítulo 45)

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