Dia 9 de outubro é o Dia do Dogū!

“Hoje é Dia de Cultura Japonesa!” – Capítulo 60

O dogū é o nome dado às estatuetas antropomórficas de barro produzidas no Período Jomon (14.000 – 400 a.C.). Esta data foi oficializada em 2016 pela Japan Anniversary Association e foi escolhida devido ao goroawase (trocadilho com os números), pois 10 é “too” em japonês. Já 9, é “kyu” ou “ku”. Juntando os dois, temos que 10/09 é “tooku”, que tem som próximo à dogū.

A maioria dos dogū tem uma aparência feminina e dificilmente são encontrados intactos. Acredita-se que muitos dos dogū foram propositalmente quebrados. Muitos deles são encontrados sem uma perna.

Ainda não se sabe exatamente qual o objetivo do surgimento do dogū, mas imaginam-se usos em cerimônias, desejo de fertilidade ou de cura de doenças, uso como amuletos ou brinquedos de crianças.

Atsuhiko Yoshida, pesquisador de mitologia, atentou-se ao fato de que a grande maioria dos dogū da fase intermediária do Período Jōmon tem um formato feminino, de Deusa-Mãe, e que era propositalmente quebrada. Assim ele associa o Dogū com a mitologia de Hainuwele, em que a origem de alimentos teria vindo de excreções ou do cadáver de divindades. O corpo de Hainuwele foi cortado em diversas partes, enterradas separadamente. De cada lugar, nasceram tubérculos que passaram a ser o alimento do povo local. Como o dogū tem forma de Deusa-Mãe, o fato deste objeto ser quebrado teria o simbolismo de desejar abundância de alimentos.

Cabe acrescentar que na mitologia japonesa também há passagens semelhantes à mitologia de Hainuwele. No livro Kojiki, a divindade Ōgetsuhime oferecia à Susanoo alimentos oriundos de seus diversos orifícios corporais. Certo dia, Susanoo se enfureceu ao flagrar o momento do preparo e matou a divindade. Das várias partes de seu corpo, nasceram bichos da seda e os cinco tipos de grãos. Já no livro Nihon Shoki (Crônicas do Japão), a história é semelhante com Tsukuyomi, a divindade masculina da Lua, matando Ukemochi, a divindade dos alimentos.

No final do Período Jōmon, surgiram também dogū com formato de coração. Também surgiram estatuetas com formato de animais, mas no sentido estrito, estes são chamados de “doseihin”, e não de dogū.

Um dos modelos mais conhecidos de dogū é o shakōki-dogū. Shakōki seria um dispositivo para proteger os olhos da luz e o dogū tem este nome pois seus olhos se parecem com os óculos de neve dos esquimós inuítes.

Os Pokémon Baltoy e Claydol (nomes originais: Yajilon e Nendoll, respectivamente) são personagens baseados no shakōki-dogū. O Baltoy seria uma mistura de um dogū com um brinquedo japonês de equilíbrio chamado yajirobee.

Existem teorias de natureza não científica que dizem que os dogū são, na verdade, extraterrestres que estão vestindo roupas de astronauta. Eventualmente os dogū surgem como adversários em filmes e seriados e em desenhos como Ultraman, Sentai Hero e, até mesmo, Doraemon.

Além disso, em 20 de fevereiro de 2017, foi noticiado a descoberta em Kobe de um dogū que tem a forma bem próxima à do robô King Joe, um dos maiores adversários de Ultraseven, que, na ficção, atacou exatamente a área portuária de Kobe. Na verdade, está obra, nomeada de “Kigujyō Dogū” foi criado pelo artista Nobuaki Date, para a exposição “Torinoyume/bird’seye Ten”, em Kobe.

Existem atualmente 5 dogū considerados Tesouros Nacionais do Japão. Um deles é conhecido como “Jōmon no Venus” (Vênus de Jōmon), de 27 cm de altura e com formato de grávida. É um dos poucos dogū que permanece praticamente intacto.

 


 

Vejam também nossos artigos anteriores:

10 de julho – Dia do Ultraman (Capítulo 1)

3 de setembro – Aniversário do Doraemon (Capítulo 36)

4 de setembro – Dia do Pente (Capítulo 37)

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