13 de outubro é Dia da Batata-Doce (サツマイモ)!

“Hoje é dia de Cultura Japonesa!” – Capítulo 63

A batata-doce, ou o “satsumaimo”, é um alimento de grande importância para o Japão em diversos aspectos. “Imo” é tubérculo em japonês. “Satsuma” é a região que conhecemos hoje como Kagoshima.

O tubérculo originário da América Latina, chamado de “bansho”, foi inicialmente introduzido da China (na Dinastia Ming) para o Reino de Ryūkyū (atual Okinawa) por Yonaha Machū em 1605 e foi difundido em Ryūkyū pelos esforços de Gima Shinjō. Posteriormente chegou à Satsuma e se espalhou por todo o Japão. Por isso conhecemos o alimento hoje como satsumaimo.

O mês de outubro foi escolhido por ser o começo do “shun” (旬, melhor época) do satsumaimo. Dia 13, porque no Período Edo, Kawagoe (na atual província de Saitama) era uma região produtora do tubérculo e ficava a uma distância de 13 ri, de Edo, atual Tóquio. “Ri” é uma unidade de medida de distância, que no Japão é de aproximadamente 3.927 km.

No Período Edo, o satsumaimo tinha o apelido de 13 ri (leia-se jyūsanri), como se pode ver na xilogravura ukiyo-e, de Utagawa Hiroshige. Na obra Bikunihashi Setchu (Ponte Bikuni na neve), parte da célebre obra “Cem Vistas de Edo” (名所江戸百景, Meisho Edo Hyakkei), podemos ver uma placa no lado direito, com as palavras “◯やき” e “十三里”, que significariam batata-doce assada.  Em tempo, o “山くじら” (Yamakujira, literalmente baleia das montanhas) significa carne de javali.

Na verdade, houve uma época em que o satsumaimo era chamado de “八里半” (Hachirihan, 8,5 ri) em Quioto, pois tinha um sabor próximo ao kuri (castanha), que tem o mesmo som de 9 ri (kuri). Porém, um vendedor de Edo criou uma frase: “Kuri yori umai jyūsanri”, que em tradução literal é: “jyūsanri (satsumaimo) é melhor do que castanha”. Esta frase fez sucesso pelo trocadilho elaborado, pois 9 ri (kuri) + 4 ri (yori) = 13 ri (jyūsanri).

É considerado um produto de cultivo relativamente fácil e resistente aos tufões por serem tubérculos e crescerem dentro da terra. Grande parte do Domínio de Satsuma (atual Kagoshima) tem uma formação geográfica chamada de Shirasu-Daichi, que é um planalto vulcânico piroclástico, sendo, portanto, inapropriado para o cultivo de arroz. Assim, o Domínio de Satsuma incentivou o cultivo de satsumaimo.

O satsumaimo contribuiu para combater a fome em diversos momentos da História do Japão, desde sua introdução no Período Edo.

O Japão passou por quatro grandes períodos de fome, durante o Período Edo: a Grande Fome de Kan’ei (1642-1643), de Kyōhō (1732), de Tenmei (1782-1787) e Tenpō (1833-1839).

Tokugawa Yoshimune, o oitavo Xogum Tokugawa, ficou conhecido por aumentar a produção de arroz, mas o arroz ainda era muito vulnerável a baixas temperaturas. Então, como alternativa, ordenou que Aoki Konyō cultivasse experimentalmente o satsumaimo. O cultivo deste tubérculo foi se difundindo por todo o Japão após a Grande Fome de Kyōhō.

O satsumaimo também é utilizado na produção da bebida alcoólica imojyōchu (shōchū), que se desenvolveu sobretudo em Kagoshima e região, por causa das restrições no cultivo do arroz.

Atualmente o satsumaimo também é foco de atenção por ser ingrediente de biocombustível (bioetanol) e também pelo potencial de ser um dos alimentos espaciais para os astronautas, cultivados fora do planeta Terra.

Existem diversos pratos e doces feitos com satsumaimo: tempurá, daigakuimo, kurikinton, imokenpi, ikinari dango (doce típico de Kumamoto), Nerikuri (prato típico de Kagoshima e Miyazaki), kankoro mochi (típico de Nagasaki), etc.

O yakiimo, a batata-doce assada, é um dos oyatsu (おやつ, lanche da tarde) muito apreciado pelos japoneses. Na Era Meiji, surgiram lojas especializadas em yakiimo. Após um período de restrições durante a Segunda Guerra Mundial, começaram a surgir os vendedores ambulantes de ishiyakiimo, a batata-doce assada na pedra. A música das caminhonetes de ishiyakiimo “ishiyakiimo, oimo” são tão ou mais populares no Japão quanto o “pamonhas, pamonhas de Piracicaba”, no Brasil.

Atualmente, o satsumaimo (yakiimo) costuma ser dividido em três tipos: Hokuhoku-kei (ほくほく系), seco e macio; o Shittori-kei (しっとり系), suave e levemente úmido, e o Nettori-kei (ねっとり系), intensamente doce e cremoso, com destaque à espécie “beniharuka”.

Na sua próxima viagem ao Japão no outono local, não deixe de saborear o ishiyakiimo. Se possível, tente experimentar e comparar os três tipos de satsumaimo.

 


 

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