16 de novembro é o Dia do Bingata!

“Hoje é Dia de Cultura Japonesa!” – Capítulo 78

O Bingata, ou o Ryūkyū Bingata, é uma das principais técnicas tradicionais de tingimento de Okinawa, conhecida por uso de cores vivas e nítidas e pelo uso de estêncil. O dia 16 de novembro tornou-se o Dia do Bingata pelo goroawase (trocadilho numérico), pois o número 1 em japonês é “ichi”, de onde tiramos a letra “i”. 6 é “roku” em japonês, de onde tiramos o “ro”. Assim, 11/16 pode ser lido como “ii iro”, que significa boa cor, ou boa coloração. O nome oficial da data é: いい色・琉球びんがたの日 (Ii iro, Ryūkyū Bingata no Hi), ou seja, dia da boa coloração, dia do Bingata de Ryūkyū. É uma data comemorativa recente, sendo oficializada pelo Japan Anniversary Association em 2019.

Quando escrevemos Bingata em ideograma (kanji), temos 紅型, que em tradução literal, significaria “padrões vermelhos”. Mas, segundo definição do artesão de têxteis e pesquisador de Cultura de Okinawa Yoshitarō Kamakura, o kanji 紅 (beni, na leitura japonesa) significaria as cores em geral e não apenas o vermelho.

A técnica do Bingata teria surgido por volta do século 13, consolidando-se no período em que a atual província de Okinawa era conhecida como o Reino de Ryūkyū (1429-1879). A técnica era utilizada na produção de trajes da corte, sendo acessíveis apenas à aristocracia. Os artesãos de Bingata viviam em torno do Castelo Shuri.

Após a Invasão de Satsuma (atual Kagoshima) em 1609, o Reino de Ryūkyū passou a ter intercâmbio mais intenso com o Japão, resultando no desenvolvimento das técnicas de produção de Bingata, recebendo inclusive influencias de técnicas japonesas como o Yūzen. Porém, no início da Era Meiji, o Reino de Ryūkyū foi dissolvido, tornando-se Província de Okinawa em 1879. Consequentemente, o Bingata também foi perdendo espaço.

Existem três famílias que tradicionalmente transmitiram a técnica do Bingata desde o Reino de Ryūkyū: Shiroma, Chinen e Takushi. As duas primeiras seguem preservando esta tradição até os dias de hoje. Após a Segunda Guerra Mundial, Eiki Shiroma e Sekkō Chinen dedicaram suas vidas para recuperar e preservar a cultura do Bingata, num momento difícil após as inestimáveis perdas, humanas e materiais, na Batalha de Okinawa. Peças de armas de fogo, discos de vinil quebrados ou mapas militares eram reutilizados para produzir o Bingata.

Desde 1973, o Bingata tornou-se patrimônio cultural intangível da Província de Okinawa. Em 1984, foi designado como artesanato tradicional do Japão. Em 1996, foi designado como patrimônio cultural intangível de grande importância, do Japão.

Em todo o Japão, existem versões da lenda do “Manto de Plumas” (羽衣伝説, Hagoromo Densetsu), cuja versão mais conhecida é a de Miho no Matsubara (三保の松原), na província de Shizuoka. Um pescador encontra o manto de plumas que a ninfa celestial perdeu enquanto se banhava no rio. A ninfa precisa do manto para poder retornar ao mundo celestial. O pescador hesita (por vários anos, dependendo da versão), mas, no fim, acaba devolvendo o manto para que a ninfa pudesse retornar ao seu mundo. Numa das versões de Ryūkyū, o manto de plumas seria um Bingata.

 


 

Veja nossos artigos anteriores no site da Aliança (link na bio):

20 de agosto – Semáforo (Capítulo 28)

18 de setembro – Shimakutuba (Capítulo 47)

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